Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
 31.01.2013 Dr. Giorgio Trotto

Uma mulher de pouco mais de sessenta anos, casada e com filhos, portadora de Mal de Parkinson, com um emagrecimento recente de mais de 30 quilos, desmaios, desânimo e ansiedade, foi encaminhada por seu médico assistente para acompanhamento ambulatorial a pedido dos familiares.
A paciente mostrou-se, inicialmente, contrariada com o encaminhamento e pouco disposta a colaborar com o tratamento. Seu estado de constante medo de passar mal subitamente e morrer mobilizava emocionalmente os familiares, que não sabiam mais o que fazer para que ela aceitasse a medicação e voltasse a se alimentar. Os pais faleceram há alguns meses. A paciente continua em tratamento.

A discussão do caso apresentado foi iniciada pelo exame do quadro psicodinâmico da paciente: um caso de doença orgânica crônica complicada por perdas não elaboradas devido a sentimentos ambivalentes  inconscientes geradores de uma intensa condenação moral que levavam a paciente a acreditar que merecia morrer em sofrimento. Em seguida, foi ressaltada a indicação do acompanhamento familiar para diminuir o impacto dessa psicodinâmica nos familiares e assim evitar a reverberação da ansiedade superegóica na própria paciente ampliada pela ansiedade dos familiares, que estava agravando o estado mental da paciente. Finalmente, discutiu-se o papel do psicólogo na costura da unidade terapêutica quando vários profissionais estão envolvidos no tratamento.












 

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