Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
 24.01.2013 Dr. Giorgio Trotto

Um homem de pouco mais de quarenta anos, casado e com filhos, foi internado devido ao reaparecimento de crises convulsivas. O paciente relatou que faz uso de barbitúricos desde a puberdade, quando suas crises convulsivas começaram. Pessoa de origem humilde, criado longe dos pais, com uma história de privação, afetiva e alimentar, e maus tratos, que incluíam violência física e abuso sexual, o paciente conseguiu sobreviver a tudo isso, formar uma família e sustentá-la com muito esforço por ter sido impedido de estudar. Ao ser internado, estava abatido com o distanciamento dos filhos, devido a brigas por ele provocadas, e também pelo retorno das crises convulsivas. Além disso, estava ansioso devido ao receio de estar com alguma doença fatal, apesar de saber ser epiléptico. O estado de ânimo do paciente melhorou após poucas consultas, que também foram suficientes para ajudá-lo a restabelecer o contato com os filhos.

A discussão foi iniciada com a pergunta sobre o que se pode fazer com esse paciente, que é portador de uma doença orgânica crônica acrescida de lesões psicológicas profundas oriundas da perversão dos vínculos básicos. Três pontos foram ressaltados: o estabelecimento de uma relação terapêutica baseada no interesse genuíno no paciente, que estabelece um vínculo diádico com efeitos terapêuticos, a necessidade de reorganizar uma terapêutica anti-epiléptica eficaz e a abertura de um espaço de interlocução para a elaboração do comportamento agressivo que o paciente tem com os filhos, que pode ser tanto motivado pela irritabilidade que acompanha a epilepsia quanto por identificações patológicas com os familiares violentos e abusivos, e que gera a culpa, o retraimento afetivo e o estado depressivo que  paciente apresentava ao ser internado.








 

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