Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
27.09.2012 Dr. Decio Tenenbaum
Uma mulher de pouco mais de cinquenta anos, solteira, foi encaminhada para tratamento no C.M.P. com o
diagnóstico de síndrome do pânico feito pelo seu clínico, que a vem medicando com a medicação antidepressiva
usual nestes casos.
A paciente relatou que há treze anos apresenta episódios nos quais tem a impressão de enrijecimento subindo
pela nuca, sua lingua parece aumentar de tamanho e fica dormente. Em seguida, a dormência se estende ao braço
esquerdo e à mão esquerda. Por vezes sua perna esquerda também fica dormente. Tudo isso é acompanhado
pela aceleração dos batimentos cardíacos e por uma opressão no peito que culmina na sensação de morte
iminente.
A paciente relatou ainda que essa sintomatologia se iniciou no dia em que, ao voltar para casa do trabalho, notou
um movimento estranho perto da sua residência e teve receio de que algo grave, fatal, acontecera com seu filho,
que na época ainda bem pequeno. Havia se separado há pouco tempo. Desde então se preocupa intensamente
com o bem estar do filho.

A discussão do caso clínico foi iniciada pelo diagnóstico diferencial entre síndrome do pânico e histeria de
converão. Ressaltou-se que a sintomatologia relatada pela paciente, de hipertonia muscular da nuca seguida de
parestesias que se assemelham aos sintomas do infarto do miocárdio, inclusive com taquicardia e opressão pré-
cordial, são tipicas da histeria de conversão. Em seguida, examinando-se o funcionamento psicodinâmico da
paciente a partir das associações e metáforas utilizadas por ela, foi consensual que a sintomatologia está
relacionada com a repressão do desejo de morte do filho desencadeada pela separação conjugal, e com o
sentimento de culpa dele decorrente. Finalmente, discutiu-se possíveis estratégias clínicas para a abordagem do
material inconsciente e reprimido.

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