Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
02.08.2012 Dr. Abram Eksterman
Uma mulher de pouco mais de cinquenta anos, casada, com filhos e netos, de aparência envelhecida, com
deformações nas extreminades e na face, foi internada para a retirada cirúrgica de um tumor benigno de hipófise.
Foi apenas há três meses, quando surgiu uma cefaléia recorrente e perda da acuidade visual, é que percebeu o
crescimento exagerado dos ossos das mãos e da face. Vinda de outra cidade, estava permanentemente
acompanhada por uma filha, recém-casada e muito ligada a ela. Seu acompanhamento pela Psicologia Médica
foi solicitado após apresentar um episódio hipertensivo enquanto aguardava a sua vez de ser operada. Outro
elemento que contribuiu para o pedido de acompanhamento psicológico foi o fato de a paciente estar sempre
limpando seu quarto.
Durante o acompanhamento, a paciente fez questão de dizer que não poderia ser culpada pelas deformações, das
quais muito se envergonhava. Mas, sentia-se culpada por ser a razão do afastamento entre a filha e o marido e
temia estar interferindo negativamente no casamento deles, daí a pressa em ser operada. Apesar de saber que
o tumor estava se desenvolvendo acerca de 10 anos, atribuía o mesmo a uma queda sofrida na infância em decorrência da falta de cuidado de um irmão mais velho.
A cirurgia foi um sucesso e a paciente saiu de alta acompanhada pela filha.

Inicialmente, foi assinalado ser este mais um caso em que fica evidente a necessidade de preparo psicológico
pré-operatório para se diminuir a possibilidade do ato cirúrgico ser utilizado com fins expiatórios, pois trata-se
de uma paciente que abriu uma síndrome depressiva pré-operatória em razão de culpas ainda não elaboradas.
Em seguida,muito se discutiu sobre os elementos biográficos que estariam na origem do sentimento de culpa da paciente.

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