Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
26.07.2012 Dr. Decio Tenenbaum

Um homem de mais de 30 anos, solteiro e ainda vivendo com a mãe, foi por ela levado ao ambulatório de Psicologia Médica com um encaminhamento, redigido pelo médico dela, com o diagnóstico de depressão. Ao contrário do que este diagnóstico faria esperar, o paciente mostrou-se bem falante, um pouco mais do que se esperaria em uma entrevista inicial, desinibido e com uma postura ligeiramente altiva, superior. Disse que seu único problema era ainda não saber que rumo tomar na vida e citou várias faculdades que teria vontade de cursar. Além disso, queixou-se da forte influência materna e da ausência paterna em sua vida. Desde logo mostrou não ver nenhuma necessidade de um acompanhamento psicológico, só tendo comparecido à consulta, marcada pela mãe, por imposição desta. Não demonstrou nenhuma disponibilidade para se tratar e não deu continuidade ao tratamento.

A discussão se iniciou pelo diagnóstico, tendo sido afastado imediatamente o de depressão. Do ponto de vista descritivo-fenomenológico, trata-se de um paciente borderline com defesas maníacas e, do ponto de vista psicodinâmico, trata-se de um caso de hipodesenvolvimento egóico decorrente de patologia no estabelecimento dos vínculos básicos, que gerou um derrotado social. Em seguida, discutiu-se o impasse psicossomático do paciente: se ele melhora, entra em estresse, e, se permanece passivo diante da vida, a pressão do ambiente (personificada na mãe) aumenta, gerando mais estresse. Finalmente, foram discutidas diferentes estratégias clínicas para o tratamento deste paciente, tendo sido sugerido que dever-se-ia começar pelo tratamento ou, no mínimo, a orientação psicológica da mãe do paciente.

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