Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
19.07.2012 Dr. Decio Tenenbaum

Uma senhora, com mais de sessenta anos, casada, com filhos e netos, portadora de alopécia areata há 10 anos, foi encaminhada à Psicologia Médica após vários tratamentos dermatológicos infrutíferos. Na primeira consulta, a paciente mostrou-se bastante contrariada com o encaminhamento e com dificuldade em entender a necessidade de um tratamento psicológico. Inicialmente, negou qualquer tipo de situação difícil em sua vida e não relacionou o surgimento de sua doença com nenhuma circunstância difícil, mas com a continuidade da entrevista revelou que o início da sintomatologia ocorreu em torno do aniversário de um de seus netos, no qual se viu tomada por lembranças de sua filha caçula, falecida ainda púbere em um acidente automobilístico. Disse não ter se recuperado dessa perda e até hoje culpa o marido pelo acidente, apesar de saber que ele não foi o responsável.

A partir da formulação do diagnóstico de luto patológico, a discussão girou em torno da relação entre o estresse crônico e a dificuldade de elaboração de experiências traumáticas. Finalmente, foi levantada a hipótese de que a contrariedade da paciente com o tratamento psicológico estar relacionada com o sentimento inconsciente de culpa, projetado no marido. Tal sentimento pode ter engendrado uma situação conflitiva, que é geradora de estresse, entre o desejo de fazer o luto da filha e a necessidade culposa manter-se presa a ela, isto é, um conflito inconsciente entre separar-se da filha morta ou mantê-la morta dentro dela.

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