Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
24.05.2012 Dr. Abram Eksterman

Um homem de pouco mais de quarenta anos, viúvo, foi internado para a retirada de um tumor benigno localizado no cérebro, cujos sintomas (confusão, cefaléia e perda da visão de um olho) surgiram acerca de quatro anos. Na época cuidava de sua esposa, que faleceu há um ano em decorrência de um câncer ginecológico. Ao internar-se, o paciente estava bastante ansioso com a cirurgia e também com a sua própria vida, que sentia ter parado com a morte da esposa. O paciente foi operado com sucesso, mas no pós-operatório apresentou um episódio de agitação psicomotora no qual retirou abruptamente o cateter de soro do braço ao mesmo tempo em que dizia que o soro estava enegrecido e que iria matá-lo.

A discussão foi iniciada com a lembrança de que a diminuição abrupta de fatores da coagulação e da imunidade são causas frequentes de intercorrências per (hemorragias) e pós-operatórias (infecções), e que ambas podem ser desencadeadas por estresse agudo. Ressaltou-se a importância do preparo psicológico pré-operatório como prevenção desse tipo de estresse, e que estar perfeitamente informado sobre a equipe cirúrgica, sobre a cirurgia, sobre os efeitos anestésicos e o despertar no pós-operatório, além da possível presença de acompanhante no procedimento, são elementos importantes nesse preparo pré-operatório. Foi lembrado também que a perda de confiança na equipe cirúrgica é comumente acompanhada da experiência de perda do espaço de segurança, fator importante no desencadeamento de estresse agudo, ainda mais em um paciente em meio a um processo de luto. Finalmente, foi assinalado que o episódio de agitação no pós-operatório, no qual o paciente sentiu-se ameaçado pela morte, pode estar relacionado com vicissitudes do processo de luto que o paciente está passando.

retorna