Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
16.02.2012 Dr. Decio Tenenbaum

Uma mulher de pouco mais de sessenta anos, de aparência descuidada, casada e mãe de um filho, foi encaminhada para acompanhamento ambulatorial com a Psicologia Médica com o diagnóstico de depressão. Efetivamente se queixava de ter recebido pouco amor de sua mãe e de um desinteresse geral. Na primeira entrevista afirmou não acreditar que um tratamento psicoterápico pudesse ajudá-la, pois o que busca na vida desde criança é o amor da sua mãe, que nunca teve e como ela faleceu há mais de dois anos ninguém poderá ajudá-la. Por outro lado, seu pai nunca assumiu a paternidade e pouco participou de seu crescimento. Relatou que foi criada pela avó enquanto sua mãe só pensava em farrear; na juventude não aceitou o pedido de casamento do namorado e acabou casando sem estar apaixonada e com um homem pouco interessado em trabalhar. Manteve o casamento mesmo sabendo que o marido tinha outras mulheres; atualmente é ela que praticamente sustenta a casa.

Inicialmente, procedeu-se ao diagnóstico diferencial entre as diferentes formas de apresentação da doença depressiva e a existência de um sentimento crônico de infelicidade, que parece ser o caso dessa paciente. Em seguida, examinando-se a dinâmica mental da paciente, localizou-se a origem desse sentimento no precário desenvolvimento da identidade feminina decorrente de conflitos com a própria sexualidade e projetados na figura materna. Finalmente, discutiu-se a função das entrevistas diagnósticas e a importância da História da Pessoa como instrumento diagnóstico.

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