Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
01.12.11 Dr. Giorgio Trotto

Uma mulher de quase cinquenta anos, solteira, mãe e avó, foi reinternada com um quadro de esclerose lateral amiotrófica, com dificuldade de engolir, de andar e diminuição da força dos membros superiores, apenas alguns meses após sua primeira internação, quando apresentou uma paraparesia flácida arreflexa de predominância cervical. A paciente ficou internada por quase duas semanas, nas quais seu estado de ânimo manteve-se positivo, apesar de consciente de todos os aspectos relacionados com a doença (o tipo de evolução, o prognóstico e o significado da piora do seu quadro clínico) e apesar da história de vida difícil, na qual não faltaram maus tratos físicos, dificuldades econômicas sérias, traição e abandono.
Discutiu-se, inicialmente, os efeitos psicológicos, na equipe de saúde, do atendimento a pacientes portadores de doenças graves, de etiologia ainda desconhecida, com quadros clínicos cujas evoluções são extremamente graves e progressivamente incapacitantes, acompanhadas ainda por lucidez de consciência e cujo final é a síndrome do encarceramento, como é o caso da doença desta paciente. Em seguida, debateu-se sobre o papel dos mecanismos de defesa e sobre os critérios clínicos que devem ser utilizados para se intervir nas defesas psicológicas dos pacientes. Finalmente, fez-se uma crítica ao conceito de resiliência em Psicologia Médica.

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