Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
03.11.11 Dr. Abram Eksterman

Uma senhora de mais de sessenta anos, casada, com filhos e netos, foi internada para a retirada de um tumor cerebral. Filha de pais drogados, ela e os irmãos foram criados em diferentes orfanatos, com raras visitas dos pais. A paciente adaptou-se bem à instituição em que foi criada, de onde diz guardar boas lembranças, e de lá saiu para trabalhar como babá. Casou-se no final da adolescência. Seu comportamento na enfermaria é sempre solícito, está sempre ajudando a enfermagem a cuidar das pacientes e a equipe de limpeza no asseio da enfermaria. Não relata nenhuma queixa e o único sintoma que apresenta é um pequeno esquecimento. Diz estar muito melhor que as demais pacientes e que tem quatro pequenos tumores que precisam ser retirados de sua cabeça, embora tenha sido devidamente informada sobre o tamanho do tumor e as dificuldades cirúrgicas relacionadas com o tamanho e a localização da única tumoração que apresenta na região frontal. A paciente aguarda a cirurgia.

O caso deu ensejo a que se discutissem as repercussões no desenvolvimento psicológico de pessoas criadas em instituições de caridade. Dentre elas foram ressaltadas a frequência com que se observa a dificuldade dessas pessoas estabelecerem vínculos e como é comum a necessidade delas se sentirem úteis e o funcionamento mental superegóico denotando a ausência de um espaço mental próprio. Finalmente, discutiu-se a melhor técnica de se lidar com a negação da paciente no preparo psicológico pré-operatório. 

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