Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
27.10.11 Dr. Decio Tenenbaum

Uma paciente de pouco mais de quarenta anos, casada e sem filhos, foi encaminhada para acompanhamento ambulatorial com a Psicologia Médica com o diagnóstico de depressão. Apesar da aparência jovem e bem cuidada, sua fala é algo rebuscada, sem nenhum colorido afetivo e sempre com a necessidade de tomar um fôlego. Sua mímica facial e gestual também é pobre. Relatou já ter feito quase vinte anos de acompanhamento psicológico sem obter nenhuma melhora. Sente que sua vida é sem sentido, vê tudo cinza e sem cor. Seu marido também faz tratamento para síndrome do pânico e ambos não conseguem sair de casa e trabalhar já há algum tempo, razão pela qual estão em sérias dificuldades financeiras. Em seu relato disse ter presenciado a morte várias vezes: fez um aborto na adolescência, perdeu os pais e logo depois, um filho com 7 meses de idade.

A partir da constatação de que a paciente está inconscientemente caminhando para a morte social com um grave embotamento afetivo e uma angústia constante relacionados com a existência de desejos de morte, foi levantada a questão: qual o tipo de ajuda que esta paciente está procurando e que até agora não encontrou? A resposta foi: se livrar do crônico sentimento de culpa decorrente do aborto realizado na adolescência. As mortes subsequentes acabaram reforçando a idéia de que ela seria um agente da morte, razão pela qual merece o castigo da morte, no caso a morte social.
A segunda pergunta formulada foi como oferecer a ajuda em um ambulatório de massa? Discutiu-se longamente a melhor técnica a ser utilizada para diminuir o embotamento afetivo defensivo da paciente, pois sem se conseguir isso não se conseguirá diminuir a intensidade da morte dentro dela.
A terceira questão levantada foi sobre a semelhança entre as sintomatologias da paciente e do marido.

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