Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
15.09.11 Dr. Giorgio Trotto
Uma paciente de pouco mais de 30 anos, solteira, foi encaminhada pela médica-assistente para acompanhamento ambulatorial pela Psicologia Médica com o diagnóstico de depressão e transtorno de ansiedade. A paciente é uma mulher de boa aparência, bonita, que se veste de modo discreto e elegante. Filha única de mãe solteira e pai desconhecido, relatou que seus problemas começaram na infância por não saber nada sobre seu pai e sobre os motivos que levaram sua mãe, grávida e com mais de 30 anos na época, a interromper o noivado às vésperas do casamento. Sabe apenas que o pai desapareceu depois que a ex-noiva não aceitou reatar o noivado. Sente-se a própria filha bastarda, rejeitada por toda a família, inclusive pela própria mãe, e com importantes dificuldades afetivas. Assim começou a trabalhar mudou-se com a mãe para longe dos familiares e interrompeu todo o contato com eles. Com poucos meses de tratamento as queixas desapareceram, a paciente reatou o contato com os familiares e interrompeu o tratamento.
O primeiro ponto discutido foi o valor e a importância dos diagnósticos, fenomenológico e psicodinâmico. Em seguida, procedeu-se à diferenciação entre uma queixa de depressão e o sentimento crônico de amargura, assim como entre a queixa de rejeição e o sentimento crônico de humilhação. Em relação ao diagnóstico psicodinâmico, foi consenso que o sofrimento da paciente girava em torno de um drama de legitimação. Finalmente, abordou-se a interrupção abrupta do tratamento em meio a uma melhora e discutiu-se os limites terapêuticos.

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