Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
11.08.11 Dr. Abram Eksterman
Uma mulher de pouco mais de 40 anos, solteira e sem filhos, foi internada devido a uma cefaléia intensa e persistente. Os exames evidenciaram um meningioma localizado próximo ao bulbo cerebral e a paciente começou a ser preparada para a cirurgia, que foi realizada com sucesso deixando a paciente bem e sem sequelas neurológicas. Nos atendimentos (3) feitos pelo membro da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria, a paciente contou que casou após muitos anos de namoro, mas separou-se pouco depois, ao descobrir que o marido mantinha relacionamentos extraconjugais. Na época estava grávida de poucos meses e sofreu um aborto espontâneo. Nunca mais se interessou em fazer família. Há pouco mais de um ano uma das irmãs da paciente morreu de câncer. A paciente mostrou-se sempre atenciosa, educada, simpática e aparentemente interessada nos atendimentos, mas manteve sua psicóloga sempre a uma certa distância. Repetiu várias vezes que era uma pessoa querida por todos e por várias vezes lembrou-se da irmã recém falecida. Também não mostrou nenhum interesse em dar continuidade aos atendimentos após a alta.

Na discussão foi assinalado o duplo objetivo da Psicologia Médica neste caso, um imediato, na enfermaria, e outro mediato, de cunho preventivo, em regime ambulatorial.
A discussão foi iniciada salientou-se que a diminuição da ansiedade pré-operatória relacionada com o medo de morrer na cirurgia foi realizada com sucesso. Em seguida, discutindo-se os aspectos psicodinâmicos da paciente relacionados com o sentimento crônico e fortemente negado de não ser uma pessoa querida, evidenciado tanto pela necessidade dela afirmar o contrário quanto pela vida solitária que ela leva, foi ressaltada a importância do acompanhamento ambulatorial para se evitar que a persistência dessa dinâmica inconsciente leve ao desenvolvimento de um desejo de morrer jovem, como a irmã, dentro de um quadro depressivo que, interferindo no sistema imunológico, poderia favorecer a reincidência da doença.

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