Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
16.06.2011 Dr. Decio Tenenbaum
Uma mulher de pouco mais de 30 anos, casada e mãe de 2 filhos procurou atendimento médico com dores e dormência pelo corpo. Natural da região nordeste do país, veio para o Rio assim que casou, ainda adolescente. Após o nascimento dos filhos seu marido passou a maltratá-la e a exigir que trabalhasse para ajudar nas despesas de casa. Pouco tempo depois, uma irmã veio morar com ela e passou a pressioná-la a não aceitar os maus tratos do marido. As brigas entre ela e o marido e entre ela e a irmã se tornaram frequentes, e há aproximadamente 10 anos surgiram problemas gástricos e depois dores e dormência pelo corpo. No momento acha que a convivência está impossível e acredita que a melhor solução é separar-se, ir embora com os filhos, mas tem medo de ficar maluca porque existem casos de doença mental e de suicídio na sua família. Antes de iniciar o tratamento ambulatorial com a Psicologia Médica, a paciente teve algumas consultas com um psicólogo que a diagnosticou como portadora da síndrome do pânico. Depois, foi a um psiquiatra que lhe diagnosticou uma depressão e a medicou. Ela recém iniciou o tratamento no ambulatório da Psicologia Médica.

O primeiro tema discutido foi a inadequação dos diagnósticos fornecidos à paciente, pois não há nenhum sinal evidente de síndrome do pânico ou de depressão. A aflição da paciente, seu medo de enlouquecer ou de se matar, e os sintomas funcionais que está apresentando estão todos relacionados com a dinâmica inconsciente que se instalou entre a paciente e a irmã se sobrepondo ao conflito conjugal. Parece que a chegada da irmã no meio do conflito conjugal desencadeou uma disputa edípica inconsciente pela posse do marido. Provavelmente por isso a paciente não consegue encontrar uma solução satisfatória para seu problema conjugal porque separando-se estará deixando o marido para a irmã. É sabido que conflitos duradouros e sem solução funcionam como agentes estressores, gerando sintomas funcionais. O último tema abordado foi a responsabilidade da terapeuta na condução desse tratamento, pois o destino de 5 pessoas está envolvido na solução desse caso.

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