Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
19.05.2011 Dr. Giorgio Trotto
Uma mulher de pouco mais de 40 anos, de aparência descuidada, mãe de dois filhos e divorciada, foi encaminhada pelo médico assistente para tratamento ambulatorial pela Psicologia Médica por ser diabética, hipertensa, ter obesidade mórbida e não seguir nenhum tratamento de forma regular. Nascida no interior, é a caçula de vários filhos e seu pai é falecido há vários anos. Em pequena ajudava o pai na roça e foi alfabetizada já bem crescida. Mudou-se para a capital após a perda do pai e engravidou no seu primeiro namoro com um rapaz mais jovem, com quem viveu 6 anos e teve seus filhos. Sempre foi muito quieta e boazinha, desde a infância. Nunca deu trabalho e nem importunou ninguém. Nunca chateou o marido porque nunca se importou com o fato de ele sair para se divertir sozinho. Pelo contrário, preparava a roupa para ele poder sair satisfeito. O marido saiu de casa repentinamente e nunca mais teve contato nem com ela e nem com os filhos. Não menstrua desde a separação, há mais de 10 anos. A diabete e a hipertensão também surgiram logo após a separação. Desde então vive com os filhos na casa da irmã fazendo todo o serviço doméstico e é sustentada por ela. Começou a engordar mais recentemente e atualmente pesa cerca de 120 kg. Acredita que seus problemas de saúde (diabete e hipertensão) vão melhorar quando emagrecer, mas nunca fez nenhum movimento com esse fim. Já iniciou vários tratamentos em diferentes hospitais. A paciente deixou de comparecer às consultas semanais de maneira repentina e inesperada. Ao ser procurada pela terapeuta disse estar frequentando outro hospital, pois estava preparando uma surpresa: iria voltar depois de ter emagrecido. De fato, a paciente voltou ao tratamento depois de perder 25 kg, mas voltou a interrompê-lo repentinamente para mudar-se para a casa de um irmão no interior ao saber que seu filho caçula estava fumando maconha.

Iniciando a discussão, foi ressaltado que o caso clínico apresentado demonstra a relação entre o estresse, que sempre acompanha os momentos de transformação psicossocial, e o surgimento de doenças funcionais como a hipertensão e a diabete. Em seguida foi assinalado que em se tratando de uma pessoa cujo eu não se desenvolveu, não se sabendo se por alguma deficiência orgânica cerebral ou se por carências psicológicas básicas, a avaliação da capacidade cognitiva do paciente é de importância fundamental para a condução do processo psicoterápico. Finalmente, muito se debateu sobre o papel do vínculo terapêutico na evolução deste tratamento e nas mudanças havidas com a paciente.

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