Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
05.05.2011 Dr. Abram Eksterman
Um homem de quase 30 anos, casado, pai de um filho e de outro a caminho, foi internado com dores articulares iniciadas há 1 ano. O exame físico do paciente não evidenciou nenhuma alteração articular e todos os exames laboratoriais foram negativos para doença reumática. Por ser filho de uma portadora de lúpus, a equipe solicitou atendimento da Psicologia Médica por acreditar que o paciente estava identificado com sua mãe.
O paciente informou que sua mãe apresentou a primeira crise de lúpus quando ele era criança, o que o levou a ajudá-la nas tarefas domésticas e no cuidado das irmãs menores. Por causa disso, passou a ser criticado e acusado de ser homossexual pelo pai, que sempre fez uso regular e abusivo de bebidas alcoólicas, além de não ajudar em casa e nem contribuir com o sustento da família. O paciente saiu de casa na adolescência após receber uma surra do pai. Viveu na rua, bebendo e se drogando por três anos. Foi resgatado pela mãe e o maior estímulo a abandonar as drogas foi descobrir que sua namorada na época, sua esposa agora, estava grávida dele.
As dores do paciente surgiram quando ele soube que iria ser promovido e passaria a exercer a função que sempre sonhou desempenhar no seu trabalho. O paciente continua internado.

A partir da história clínica do paciente, discutiu-se, inicialmente, o diagnóstico de neurose de fracasso. Em seguida, abordou-se a psicodinâmica do processo identificatório do paciente com seus genitores: com a mãe, através da idéia de doença e, com o pai, através da sobreposição dos locais atingidos pelas agressões paternas com os locais atingidos pela dor. Finalmente, foi ressaltada a indicação da continuidade do acompanhamento psicológico do paciente após sua alta da enfermaria.

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