Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
17.03.2011 Dr. Decio Tenenbaum

Uma adolescente de 15 anos foi encaminhada para tratamento ambulatorial por apresentar quadro de psoríase desde a infância, além de conflitos familiares, principalmente com o pai. A paciente praticamente não consegue conviver com o pai ”porque ele está sempre gritando e é um grosso. A casa ficou muito melhor quando os ele saiu de casa” (quando o casal passou por uma breve separação conjugal). A paciente teve apenas um namoro, o qual foi por ela abruptamente encerrado logo no início quando sentiu repulsa ao contato da saliva ao beijar o namorado. Segundo a paciente, a crise psoriásica atual se iniciou durante um trabalho escolar, no qual ela desentendeu-se com os colegas, mas foi também o primeiro trabalho no qual o pai participou ativamente. A paciente sente-se interiormente pressionada pelo fato de ainda não ter-se definido profissionalmente e sobrecarregada com a proximidade do vestibular. A paciente continua em atendimento.

A discussão foi iniciada com a constatação de que se trata de mais um caso, entre tantos acompanhados em nosso ambulatório, no qual que pode ser observada a relação entre certas doenças dermatológicas, no caso a psoríase,  e conflitos relacionados com a identidade de gênero. Entrando na psicodinâmica do caso em questão, foi ressaltado que o sentimento de sobrecarga, tanto cognitiva quanto afetiva, está relacionado a problemas no desenvolvimento egóico, possivelmente decorrentes da existência de lacunas cognitivas na experiência edípica da paciente. Em seguida, examinou-se o possível efeito do comportamento paterno na indefinição sexual da paciente. Finalmente, conjecturou-se a possibilidade de chamar o pai para algumas entrevistas de orientação dentro da perspectiva de retirar possíveis entraves para o desenvolvimento do ego da paciente.

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