Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
21.10.2010 Dr. Decio Tenenbaum
Uma senhora de pouco mais de 60 anos, procedente de área rural, separada e mãe de 2 filhos, o primeiro morto logo após o parto, trabalhando como recepcionista, foi encaminhada para tratamento ambulatorial pelos seus superiores por estar muito ansiosa e, com isso, prejudicando o atendimento. Sua fala, além de acelerada e parecer um diálogo cênico no qual ela contracenava com ela própria, era formada por temas que se sucediam através de associações não evidentes para o terapeuta dando ao discurso um formato confuso.
Sua história pessoal é marcada por perdas significativas e traumáticas: perdeu o pai, única pessoa que realmente amou (sic) aos 5 anos de idade, e 3 dos seus 4 irmãos mais velhos morreram ainda crianças de uma doença endêmica em sua região natal, além do 1° filho, que morreu com 1 mês de nascido. Sua única irmã viva é paraplégica desde a infância e foi engravidada pelo segundo marido de sua mãe. Foi criada por uma família que a adotou aos 8 anos e casou-se com pouco mais de 20 anos após quase 5 anos de namoro. Só depois de casada é que descobriu que o marido, pessoa com aparência masculina, pelos pelo corpo e barba, era uma mulher. Mesmo assim ficou casada 10 anos, separou-se apenas para engravidar, não manteve nenhum contato com os pais de seus filhos e mantém contato com o “ex-marido” até hoje. Logo após a morte de seu primeiro filho ficou tão profundamente deprimida que não conseguia sair da cama e precisou fazer uso de medicação psiquiátrica. A paciente continua em tratamento.

A partir do diagnóstico de estrutura narcísica como defesa contra uma depressão infantil importante e provavelmente relativa a um luto patológico, com um funcionamento mental limítrofe (borderline) com a psicose, discutiu-se qual seria a melhor técnica psicoterápica e o objetivo terapêutico com essa paciente. O objetivo de instrumentalizar o ego a lidar melhor com a invasão de processo primário de pensar na consciência através da técnica de ser um ego auxiliar para a paciente foi consensual.

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