Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
14.10.2010 Dr. Abram Eksterman
Uma mulher de quase 40 anos, portadora de AIDS, foi internada com um quadro de intenso emagrecimento há 3 meses e acompanhado mais recentemente por diarréia e desidratação. Seu aspecto era desvitalizado e seu estado de espírito, de desânimo e desesperança. Pouco disposta a interagir com a equipe da enfermaria, seu comportamento foi, inicialmente, arredio. Informou ter sido contaminada pelo marido, que mantinha uma vida sexual extraconjugal promíscua. Separou-se ao saber-se infectada e afastou-se completamente do marido e dos filhos daquela união. Afastou-se também do pai e dos irmãos (a mãe já era falecida) e chegou a planejar uma maneira de se matar. Há pouco mais de 5 anos vive maritalmente com um companheiro, que é violento e a maltrata, chegando a deixá-la trancada em casa para que ninguém pudesse vê-la no estado em que estava porque, mesmo diante da piora do estado geral dela, para ele ela não estava doente, querendo apenas chamar a atenção dele. Isso e também outras coisas fizeram com que a paciente desenvolvesse suspeitas de que seu companheiro deseja a morte dela para ficar com a casa, que é dela.
A paciente foi trazida ao hospital por uma vizinha sem o conhecimento do companheiro, que não permitiria (sic).  A melhora do estado geral da paciente foi acompanhada da melhora do estado de ânimo, mas surpreendentemente a paciente passou a negar sua doença e a repetir frases anteriormente atribuídas ao companheiro. Na véspera da alta, a paciente mencionou ter “aprontado” na juventude, mas recusou-se a dar maiores detalhes. Ela saiu de alta sem nenhum interesse em dar continuidade à terapia.

A discussão girou em torno do papel do vínculo terapêutico, do objetivo da Psicologia Médica e dos limites do tratamento desta paciente, principalmente em relação à abordagem da violência presente em seu relato, tanto a violência do companheiro, da qual a paciente parecia não saber se defender, como a violência dela própria, projetada no companheiro com quem posteriormente mostrou se identificar, e que também podia ser inferida a partir das idéias suicidas, do abandono dos filhos e do relato que “aprontou” muito na juventude.

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