Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
07.10.2010 Dr. Decio Tenenbaum
Uma mulher de pouco mais de 40 anos, única filha de pai alcoólatra entre 4 irmãos, casada e mãe de 1 filho, foi encaminhada para tratamento ambulatorial por apresentar episódios de perda da memória durante os quais não sabe o que fala e o que faz. Esses episódios se iniciaram com um desmaio, seguido de 8 dias sem memória, na ocasião do seu casamento com seu atual marido, há mais ou menos 5 anos. Ao recuperar-se, o marido lhe disse que durante esse período ela revelou o fato de ter sido abusada sexualmente na infância por seu pai, o que nunca havia feito antes. Os abusos se encerraram quando o pai se converteu a uma determinada religião. Coincidentemente, a paciente também acabou se convertendo a essa religião a pedido do filho quando este sofreu um grave acidente. Desde então a paciente dedica-se ao trabalho de divulgar a religião e foi em uma das viagens de proselitismo que conheceu seu atual marido, também dessa religião. A paciente encontra-se em tratamento há pouco mais de 2 meses e apresentou 2 desses episódios de desmaio seguido de “perda de memória”. Durante as consultas a paciente deu sinais de se sentir oprimida pela religião e culpada pelo que lhe aconteceu na infância.

O primeiro ponto abordado na discussão do caso clínico foi o diagnóstico diferencial entre estado crepuscular e histeria. A partir das evidências clínicas de trauma sexual precoce apresentadas pela paciente (erotização excessiva desde a adolescência, erotismo fixado no tipo de ato sexual que ela era levada a praticar com o pai e a auto-estigmatização) e na ausência de sinais clínicos de comicialidade, firmou-se o diagnóstico de histeria. Em seguida, a discussão encaminhou-se para a condução do processo psicoterápico: se o tratamento deveria buscar possíveis motivações inconscientes (desejos inconscientes) da paciente que a teriam levado a não opor nenhuma resistência ao trauma repetido, base do sentimento de culpa expresso nas sessões, ou se o tratamento deveria ser iniciado pela elaboração da experiência traumática, aliviando o sentimento de culpa da paciente.

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