Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
23.09.2010 Dr. Abram Eksterman
Uma mulher de quase 40 anos, casada, mãe de um filho adolescente, em tratamento ambulatorial há pouco mais de 1 mês por apresentar episódios de falta de ar e aperto no peito, informou que seus sintomas surgiram quando, aos 17 anos, seu pai mudou-se para outro estado e perdeu definitivamente o pouco contato que ainda tinha com ele desde a separação dos pais, ocorrida quando ela estava com 5 anos. Ela e o irmão foram criados pelo avô materno porque a mãe casou-se logo em seguida com um homem que já tinha filhos e não poderia criar também os da esposa. Por sua vez, o avô, que estava casado em segundas núpcias há pouco tempo e com filhos pequenos, frequentemente se queixava da sobrecarga imposta pela filha. Há aproximadamente 1 ano resolveu procurar o pai e, ao encontrá-lo, decepcionou-se com as dificuldades dele se reaproximar. Notou que seus sintomas pioraram desde então. O pai é uma pessoa arredia ao contato e há muitos anos recebeu o mesmo diagnóstico de distonia neurovegetativa (utilizado pelos clínicos nos casos de sintomas conversivos e somatizações) dado à paciente quando do encaminhamento para tratamento no CMP.

Tratando-se de um caso de histeria, cujos sintomas expressam a ambivalência da paciente com o pai, o debate se concentrou na condução do tratamento em um ambulatório de massa. Em primeiro lugar, discutiu-se se o foco inicial deveria ser a identificação da paciente com o pai ou o próprio vínculo terapêutico. Em seguida, abordou-se a precariedade das experiências diádica e edípica da paciente e as respectivas consequências no desenvolvimento da identidade de gênero dela.

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