Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
19.08.2010 Dr. Giorgio Trotto
Uma mulher de pouco mais de 30 anos, filha única e solteira, vivendo e trabalhando em uma instituição religiosa católica, na qual não se sente bem por ter que esconder sua verdadeira fé, o judaísmo messiânico, e praticamente sem amizades, está em tratamento ambulatorial na Neurologia por apresentar movimentos involuntários de cabeça e tronco acompanhados de ansiedade. Foi encaminhada para o ambulatório da Psicologia Médica por não ter sido encontrado nenhum substrato orgânico para os sintomas. À psicóloga que a atendeu disse que seus sintomas surgiram depois que começou a usar medicação psiquiátrica após tentativa de suicídio. Ao iniciar o acompanhamento mostrou ser uma pessoa orgulhosa, que se sente humilhada com extrema facilidade e sem objetivos na vida. Relatou intensos conflitos com sua mãe, ao mesmo tempo em que lastima até hoje a perda do avô, ocorrida há 8 anos, por ter sido a única pessoa por quem se sentiu amada e por quem sentira amor sem conflitos. Nessa mesma época a mãe perdeu o emprego, passaram por grandes dificuldades financeiras e só recentemente ela conseguiu um lugar razoável para morar e um trabalho que dá um sustento mínimo a ambas. Depois de algumas sessões revelou ter sido adotada recém-nascida, e que sua mãe biológica, de origem judaica, teria sido empregada doméstica na família da mãe adotiva, que a adotou por não poder ter filhos. A paciente não retornou ao tratamento depois das férias sob a alegação de que não havia como se ausentar em seu novo emprego. Estava praticamente sem sintomas e já sem tantos conflitos com a mãe adotiva.

Inicialmente, foi discutido o diagnóstico diferencial entre coréia de Huntington e movimentos involuntários psicogênicos, geralmente relacionados com irrupções de processo primário de pensar na consciência, inconscientemente utilizados para a modulação do vínculo. Em seguida, examinando-se o drama de legitimação apresentado pela paciente, foi reafirmado o papel central da elaboração nesse processo terapêutico. Finalmente, discutiu-se os aspectos psicodinâmicos envolvidos na interrupção do tratamento.

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