Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
08.07.2010 Dr. Abram Eksterman

Uma mulher de quase 50 anos, casada em segundas núpcias, mãe de 2 filhos e avó de 10 netos, foi internada para investigação de síndrome coronariana por apresentar dor pré-cordial (angina) com piora nos últimos 30 dias. A paciente teve apenas 1 atendimento da Psicologia Médica, solicitado pela enfermagem e motivado pela impressão de que ela estava muito assustada com o agravamento do quadro da sua colega de quarto. A paciente recebeu o membro da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria com certa desconfiança e disse ter hoje uma vida muito boa. Quando foi questionada sobre como a sua vida era antes, disse ter perdido 2 filhos num espaço de 2 anos, o que causou forte impacto na psicóloga. Estimulada a falar sobre essas perdas, a paciente contou que o caçula morreu atropelado quando jogava bola e o outro, em um assalto de ônibus ao recusar entregar seu par de tênis novo. A paciente recebeu alta antes do segundo atendimento psicológico.

Partindo do diagnóstico psicodinâmico de luto patológico reativado pela ameaça de perder a própria vida, discutiu-se a necessidade de se estabelecer o foco para o atendimento psicológico. Foi ressaltada a importância de 2 elementos para a construção desse foco: a cena mental do paciente, que é revelada ao terapeuta através do discurso do paciente, não necessariamente a partir do assunto que é falado, e sim do tema que é levantado pelo mesmo, e a contra-transferência, que possibilita a percepção dos sentimentos e desejos reprimidos do paciente que são defensivamente projetados no terapeuta.

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