Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
18.03.2010 Dr. Sergio Costa Almeida
Um rapaz de quase vinte anos, solteiro, foi internado para pesquisa diagnóstica de cefaléia frontal+dispnéia em repouso+náuseas e vômitos a qualquer alimento com início há quatro meses. Rapaz muito tímido e de comportamento regredido, não conseguiu prestar nenhuma informação sobre seus sintomas e praticamente não conseguiu conversar com a psicóloga. Todas as informações foram prestadas pela mãe, de quem era muito dependente. Por esta ficou-se sabendo que o paciente fez tratamento para convulsão a partir dos quinze anos, tendo sido este o motivo alegado para seu afastamento dos estudos, razão pela qual o paciente concluiu apenas o primeiro grau. Também fez uso de medicação ansiolítica ainda criança, depois de presenciar o assassinato de um tio aos nove anos de idade.  Por outro lado, a mãe ainda o via como um bebê e assim o tratava. O paciente entrou em pânico assim que chegou à enfermaria, não queria ficar internado de maneira nenhuma, fez referência a ter medo de morrer no hospital e passou o primeiro dia de internação chorando copiosamente o tempo todo. Permaneceu muito ansioso no dia seguinte, mal conseguindo conversar, e no terceiro dia sua mãe veio retirá-lo do hospital para que ele fizesse o tratamento mais perto de casa. Não houve tempo para se iniciar a pesquisa da hipótese diagnóstica de linfoma aventada pela equipe médica.

Por se tratar de um caso no qual fica evidente a importância da criação do espaço terapêutico, sem o qual nenhum tratamento é possível, discutiu-se possíveis estratégias clínicas para se diminuir o quadro de intensa ansiedade do paciente em relação à internação. Foram apresentadas duas sugestões: a) a contra-indicação da internação do paciente, cuja pesquisa diagnóstica deveria ser feita em regime ambulatorial; b) atendimento psicológico também para a mãe do paciente, que apresentava dificuldades em dele se afastar decorrente de uma relação de apego inseguro (Bowlby) e geradora da insegurança demonstrada pelo paciente em dela se afastar, além de focar o atendimento psicológico do paciente na criação de um espaço de segurança. Durante a reunião também foi aventada a possibilidade do paciente ser portador de epilepsia e de déficit intelectual.

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