Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
04.03.2010 Dr. Decio Tenenbaum

Uma mulher de pouco mais de quarenta anos, casada e mãe de dois filhos, vivendo em casa construída no terreno dos pais, foi internada para se submeter a uma colecistectomia após duas crises de dores abdominais. Portadora de cálculo na vesícula biliar, cujo tamanho indica longa evolução, sofreu a primeira crise álgica há pouco mais de quatro meses durante um almoço familiar; o segundo episódio ocorreu um mês depois, em novo encontro familiar, ambos transcorridos em clima alegre e festivo. Pesquisando as circunstâncias da eclosão das crises, a terapeuta ficou sabendo que no primeiro encontro familiar a paciente, em meio a reflexões sobre sua vida, se deu conta do envelhecimento dos pais e da possibilidade de vir a perdê-los; no segundo, soube dos planos do filho se casar após concluir a faculdade. A paciente foi operada com sucesso com um ótimo pós-operatório. 

O primeiro tema a ser discutido foi a dificuldade da paciente lidar com as perdas e separações que fazem parte da vida (perda dos pais, casamento dos filhos), e o tipo de reação que ela teve ao tomar consciência da proximidade de algumas delas: a paciente apresentou uma reação orgânica e não psicológica, como seria mais adequado, o que poderia caracterizar aquilo que Pierre Marty chamou de pensamento operatório. Ao invés de apresentar um quadro de angústia de separação, a paciente apresentou um quadro que se poderia chamar de estresse de separação. Finalmente, discutiu-se a correção do preparo psicológico realizado no pré-operatório ter se centrado na elaboração dessas perdas.

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