Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
28.01.2010 Dr. Giorgio Trotto

Uma moça de menos de dezoito anos, noiva e ainda estudante, foi internada com um quadro de perda da acuidade visual, perda dos movimentos dos membros inferiores, incapacidade de esvaziar a bexiga, fala lentificada e cansaço, com início há cinco meses.  Dias depois da internação, sua mãe foi comunicada do diagnóstico: esclerose múltipla, doença degenerativa crônica de prognóstico reservado. Órfã de pai desde seu primeiro ano de vida, a paciente vive com a mãe, descrita como pessoa forte, determinada e evangélica, e um irmão, descrito como tendo sido nervoso até ter aceitado Jesus. Ela também se acha uma pessoa nervosa e, às vezes, chata e impaciente, por isso está sempre pedindo ajuda a Jesus. O pai, pessoa difícil, alcoólatra, morreu de câncer intestinal logo depois de ter entrado para a igreja da esposa. Baseada em sua fé, a paciente tem se revelado bastante otimista em relação a sua total recuperação. Em contrapartida, os familiares e a equipe da enfermaria estão abatidos com a situação da paciente, que ainda não foi informada sobre o seu diagnóstico e a evolução da doença.

A discussão girou em torno das dificuldades em ajudar uma paciente que vai ser progressivamente lesada até morrer, em uma evolução que pode ser bem longa. O tratamento deste tipo de paciente envolve dois riscos: a) o terapeuta desistir da paciente; b) a paciente desistir do tratamento e da vida. O primeiro risco é evitado pelo uso adequado da contratransferência e o segundo, é diminuído se o terapeuta não se deixar contaminar pelo conhecimento da evolução da doença, permanecendo no aqui e agora da paciente.

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