Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médicaca
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
21.01.2010 Dr. Decio Tenenbaum
Uma mulher de pouco mais de trinta anos, casada, mãe de dois filhos pequenos, foi encaminhada, por seu médico-assistente, para acompanhamento ambulatorial, que iniciou recentemente. Portadora de vitiligo desde sua primeira gravidez, durante a qual precisou fazer repouso absoluto pelo risco de abortamento, disse que o que mais sentiu, chegando a ficar sem rumo, foi ter parado de trabalhar, pois é a coisa que mais gosta de fazer. Como teve uma segunda gravidez pouco depois da primeira, só agora pôde voltar a trabalhar, o que melhorou muito seu estado de espírito. Sobre seus familiares, disse se relacionar muito bem com seu pai, apesar da rigidez dele, e com seu irmão, mas ter muitas dificuldades com a irmã, criada com muito mais liberdade do que ela, e com a mãe, que nunca se recuperou da perda do filho mais velho com quatro meses. Por coincidência, a paciente nasceu no mesmo dia deste irmão, apenas um ano depois..

O caso foi considerado ilustrativo da relação entre estresse crônico, patologia dos vínculos e doença orgânica. Como em outros casos já apresentados, neste também podemos ver o surgimento de estresse na vigência do rompimento de uma relação diádica, pois, pelo relato da paciente, podemos inferir que para ela o trabalho era muito mais do que uma realização profissional e/ou um meio de sustento. Pela desorganização que a paciente viveu ao ter que interromper essa atividade e o estresse subsequente, foi no trabalho que ela, como muitos “workalcoholics”, encontrou seu espaço de segurança. Como em vários casos também já apresentados, neste podemos ver o aparecimento de vitiligo em uma pessoa com problemas na esfera da sexualidade. Finalmente, discutiu-se a relação entre a biologia e a cultura.

retornana