Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
22.10.2009 Dr. Giorgio Trotto
Uma jovem mulher de vinte anos, excelente aluna, cursando faculdade e solteira, iniciou tratamento ambulatorial por apresentar episódios de enxaqueca e de instabilidade emocional, com sudorese e sensação de desmaio, iniciados há três anos. Veio encaminhada do ambulatório da neurologia aonde vem sendo acompanhada e medicada com drogas antidepressivas em pequenas doses para a enxaqueca.
Contou que seus problemas se iniciaram após algumas discussões familiares quando soube que uma tia foi contaminada com o vírus da AIDS pelo marido e um tio também se contaminou ao fazer uma tatuagem. Notou que começou a sentir-se muito irritada, apresentar crises de raiva seguidas de crise de choro, enxaqueca e vertigem. Passou a sentir-se muito confusa, sem saber o que fazer na vida, seu rendimento escolar diminuiu e passou a ter medo de fracassar na vida. Não conseguiu chegar no horário nas primeiras consultas, estava algo eufórica, inquieta, e com o pensamento um pouco acelerado. Após quatro meses de acompanhamento, um mês a mais do que havia sido previamente estabelecido com a paciente, ela foi encaminhada para outra instituição para dar continuidade ao seu tratamento.
Como já assinalado por Danilo Perestrello (“Medicina Psicossomática”, Libreria Universitaria Editorial, B.Aires, 1963), este caso exemplifica a frequente relação entre enxaqueca e problemas na esfera da sexualidade (LINK). A interrupção precoce do tratamento motivada por regras institucionais motivou a discussão sobre critérios clínicos para o atendimento psicológico em um ambulatório de massa. Discutiu-se também os possíveis efeitos colaterais (euforia) do uso da medicação antidepressiva.

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