Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
01.10.2009 Dr. Decio Tenenbaum
Uma mulher de pouco mais de quarenta anos, casada e mãe de uma criança de doze anos, foi internada para retirada de nódulos na tireóide. Portadora desses nódulos há muitos anos sem nenhuma alteração hormonal, com o adoecimento do filho notou que os mesmos começaram a crescer e seu médico indicou a cirurgia para afastar o risco de malignidade. O câncer é uma doença bastante presente na família da paciente: seu filho é portador de um câncer cerebral desde os oito anos de idade, seu pai morreu de câncer no pâncreas e a mãe de câncer nos ossos. Seu único receio, quando se internou, era morrer antes do filho e a paciente tinha certeza que a biopsia iria acusar câncer de tireóide, apesar de ter sido informada pelo seu médico de que a possibilidade disso ocorrer era pequena e que o câncer de tiróide tem um prognóstico muito bom quando retirado precocemente. Pareceu ter ficado um pouco abatida ao saber que a biópsia feita durante a cirurgia não revelou malignidade.

A ausência de ansiedade ou de depressão diante da possibilidade de ter câncer, associada à prevalência da idéia de ter a doença que vários familiares tiveram, levantou a suspeita da existência de uma identificação mórbida da paciente com seus familiares como forma de pertencimento ao grupo familiar. Essa compreensão psicodinâmica levou ao objetivo da Psicologia Médica no atendimento à paciente: retirar o câncer como elemento organizador do espaço de segurança da paciente, estimulando-a a encontrar outros elementos identificatórios e assim prevenir futuras induções iatrogênicas.

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