Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
23.07.2009 Dr. Decio Tenenbaum
Uma mulher de pouco mais de trinta anos, casada e com dois filhos, de fisionomia séria, de estatura alta e de aparência algo masculinizada, em tratamento ambulatorial por apresentar um quadro de alopecia areata universalis, foi encaminhada para acompanhamento psicológico. Filha única de pais separados quando ainda criança, o pai constituiu nova família e não participou de sua educação em nenhum sentido. Ela e a mãe chegaram a passar sérias dificuldades financeiras. Atualmente até se relaciona razoavelmente bem com o ele, mas não consegue esquecer o passado. Relatou ter apanhado muito da mãe, que sempre foi uma pessoa rígida, exigente e possessiva, e não gosta quando percebe que é parecida com ela.  Informou que o primeiro episódio de sua doença ocorreu há mais de dez anos, pouco depois do nascimento de seu primeiro filho, fruto de um namoro que já havia terminado quando soube que estava grávida. Até hoje sente que tem certa dificuldade de se relacionar com esse filho por ser ele fisionomicamente muito parecido com o pai. Na época, melhorou quando, por orientação médica, passou a frequentar a mesma igreja que seu médico. O segundo episódio de perda total dos pelos do corpo se iniciou há aproximadamente um ano quando seu marido lhe contou que havia se envolvido com outra mulher. A paciente continua em tratamento.

A partir da constatação que a paciente apresenta falhas na construção da sua identidade feminina, razão pela qual adoeceu em situações nas quais esse aspecto de sua identidade foi exigido (no nascimento do primeiro filho, isto é, na maternidade, e no aviso que o marido recentemente lhe deu de que ela não estava sendo suficientemente feminina para ele), discutiu-se a psicodinâmica e a fisiopatologia da sintomatologia psicossomática apresentada pela paciente, no que ela tem de semelhante com o sintoma histérico e na relação com os mecanismos envolvidos no estresse. Em seguida, abordou-se o papel da figura paterna (a função paterna), da religiosidade e das experiências transcendentais no desenvolvimento mental.

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