Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
09.07.2009 Dr. Sergio Costa Almeida
Um homem de quase quarenta anos, separado, pai de duas filhas que não vê há sete anos, morador de rua, dependente químico de álcool e drogas e portador de AIDS, foi internado devido a intenso emagrecimento, febre, tosse com secreção e dores nas costas decorrentes de recidiva de tuberculose, agora disseminada em vários pontos do organismo. Perdeu a mãe aos oito anos e o pai foi viver com outra mulher três anos depois. Foi criado por um parente para quem começou a trabalhar logo em seguida. Começou a usar álcool e drogas na adolescência e veio para o Rio quando a sua mulher não aguentou mais viver com ele. Desde então vive de pequenos biscates na rua. Não soube dizer há quanto tempo é portador do HIV e pareceu não seguir o tratamento de forma regular. Apesar do seu péssimo estado, continua fazendo uso de bebidas alcoólicas e de drogas, mesmo durante a internação. Seu estado emocional oscilou entre sentir-se uma vítima das circunstâncias da sua própria vida e julgar-se um lixo de pessoa, razão pela qual nunca mais procurou suas filhas.

A partir da constatação de ser este um caso cujo prognóstico é reservado em virtude do paciente não aderir ao tratamento, já estar muito depauperado pela doença e não ter nenhum apoio social, discutiu-se o valor terapêutico do vínculo humano, estratégias possíveis para o acompanhamento psicológico deste paciente e a alienação como instrumento de sobrevivência.

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