Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
25.06.2009 Dr. Abram Eksterman
Um homem de quase cinquenta anos, viúvo, casado em segundas núpcias, pai de cinco filhos e praticante de lutas marciais, foi internado para se submeter à biópsia de um nódulo localizado no pescoço. Apesar da sua primeira esposa ter falecido de câncer, que começou com dores no pescoço, e o paciente estar perdendo peso há algum tempo, ele só começou a se preocupar com o nódulo recentemente, quando passou a sentir dificuldade em se manter em pé. Só era visitado pela esposa, e ele mesmo dizia não querer receber visitas. Nos atendimentos com o membro da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria gostava de falar das lutas, dos golpes e de sua perícia, que o habilitava a matar só usando as mãos, mas muito pouco falou sobre si. Estava ansioso com o exame; o contraste entre sua aparência ainda forte, apesar de já ter emagrecido bastante, e o medo de agulha, chamava a atenção. Quase não conseguiu permanecer internado quando o procedimento precisou ser adiado. O resultado do exame foi negativo para neoplasia e sugestivo de tuberculose.

O grande questionamento que este caso trouxe à reunião foi a demora do paciente em procurar auxílio médico. A partir desse ponto, várias hipóteses foram levantadas, todas associadas com a agressividade do paciente e girando em torno de possíveis culpas que precisariam de expiação. O descaso com a própria saúde levou a se pensar na possibilidade do paciente não prosseguir na pesquisa diagnóstica que precisa fazer.

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