Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
04.06.2009 Dr. Decio Tenenbaum
Uma senhora de quase setenta anos, oriunda do interior de um estado nordestino, solteira e sem filhos, foi internada por apresentar reações cutâneas decorrentes de farmacodermia. Filha preferida do pai entre dezesseis filhos, sente-se triste desde seus dezesseis anos. Aos vinte foi levada à capital para tratamento de crises de choro acompanhadas de dores abdominais e vômitos. Desde então usa medicação ansiolítica e antidepressiva com remissão parcial e intermitente dos sintomas. Há nove anos perdeu o pai e ainda não se sente conformada com a perda do “grande amor da sua vida”. Há quatro anos vem apresentando pequenas lesões pruriginosas na pele, inicialmente na face e depois nos membros. Atualmente apresenta descamação e prurido nas mãos, pés e couro cabeludo. A própria paciente diz que o surgimento das lesões tem relação com o seu estado emocional, mas não entende o porquê. A paciente teve seis atendimentos psicológicos nos quais se mostrou, inicialmente, ansiosa, pessimista e constantemente ameaçada pela presença da morte. Saiu de alta menos ansiosa, mais animada com a vida e sentindo-se menos ameaçada pela morte.

A discussão do caso serviu para exemplificar quais são os objetivos do atendimento psicológico a pacientes orgânicos em um hospital, pois o caso em questão é de uma senhora de 70 anos que está aproximando do fim da vida, sentindo a morte presente o tempo todo, portadora de um quadro depressivo-ansioso há mais de cinquenta anos e relacionado com experiências muito precoces com seus vínculos afetivos básicos e que há muitos anos vem se submetendo a diferentes tratamentos dermatológicos sem muito resultado e sem muita adesão aos mesmos.

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