Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
28.05.2009 Dr. Abram Eksterman
Um homem de quase sessenta anos, solteiro, pai de três filhos com três mulheres diferentes, alcoólatra de longa data, diabético há mais de dez anos sem tratamento regular, hipertenso, portador de hepatite e de pancreatite crônica, foi internado em anasarca. Desempregado há muitos anos, vive de favor no terreno de uma irmã. Seu atendimento pela Psicologia Médica foi solicitado devido a sua quase inexistente adesão ao tratamento. Mostrou-se, inicialmente, muito arredio à abordagem psicológica, mas graças à destreza da psicóloga em criar um vínculo terapêutico, o paciente conseguiu falar de sua história, na qual ficou evidente seu sentimento de culpa pelo caminho que tomou em sua vida, perdendo tudo e todos. Seu único e tênue vínculo com a vida é seu filho pequeno: “eu não sou bom, mas sou pai e ele precisa de mim”. Apesar de ter conseguido estabelecer uma relação terapêutica com o paciente, a psicóloga reconheceu sua dificuldade em ir atendê-lo.

Discutiu-se, inicialmente, se a postura arredia e a não adesão do paciente ao tratamento estariam relacionadas com possíveis aspectos narcísicos de sua personalidade ou com o sentimento de culpa. Relacionado a esse tema, fez-se a distinção entre narcisismo e vaidade, e foi abordada a utilização que os pacientes podem fazer de sua doença como veículo expiatório de culpas inconscientes. Finalmente, três possibilidades foram examinadas na discussão sobre a reação contratransferencial da terapeuta: a dificuldade de ela estar com o paciente seria uma reação inconsciente dela ao narcisismo do paciente; à culpa do paciente; à presença da morte dentro do paciente.

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