Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
21.05.2009 Dr. Giorgio Trotto
Uma mulher de quase cinquenta anos, divorciada, mãe de um filho e em tratamento de AIDS, foi encaminhada para acompanhamento ambulatorial pela Psicologia Médica por estar muito ansiosa. Em uso de medicação antidepressiva e ansiolítica, a paciente estava transtornada ao iniciar o acompanhamento pela Psicologia Médica. Olhar tenso, falando rápido, muito alto e usando vários palavrões de forma agressiva, expressou seu ódio, ressentimento e decepção com seus familiares, com seu ex-marido e com seu ex-namorado: todos a usaram, a exploraram financeiramente e a abandonaram, o último também a contaminou com o HIV antes de deixá-la. Seu estado de ânimo mostrou alguma oscilação entre a exaltação raivosa e a tristeza profunda, com desejos suicidas, durante as consultas iniciais. No momento continua em tratamento, um pouco menos descontrolada.

A discussão girou em torno de como tratar em um ambulatório de massa uma paciente apresentando um quadro de desorganização mental. Inicialmente debateu-se a questão diagnóstica, o significado da intensa ansiedade e das idéias (delirantes?) de menos valia da paciente. A partir da compreensão psicodinâmica de que o quadro de desorganização mental da paciente, com toda a sintomatologia de revolta e tristeza, é a expressão da desorganização de um ego  incapaz de lidar com a situação de doença grave, foi sugerido que o tratamento deveria focar, inicialmente, na abertura de espaço de elaboração da experiência que a paciente está vivendo. Finalmente, foi também sugerido que se fizesse uma interconsulta com o médico assistente sobre a medicação que a paciente está usando, pois o antidepressivo pode estar contribuindo para o estado de exaltação e para a desorganização mental da paciente.

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