Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
14.05.2009 Dr. Abram Eksterman
Uma senhora de mais de setenta anos, mãe de cinco filhos, aposentada, já com voz cansada e trêmula, com semblante triste e olhar distante, foi internada com um quadro agudo de dispnéia em consequência a um edema agudo de pulmão. O atendimento da Psicologia Médica foi solicitado após quase um mês de internação porque toda vez que era levada para fazer determinado exame, a paciente apresentava uma crise hipertensiva que impossibilitava a realização do mesmo. Durante seu acompanhamento relatou sua difícil vida: abandonada pelo companheiro com quatro filhos pequenos, veio procurar trabalho no Rio de Janeiro deixando os filhos com a mãe. Aqui teve outro relacionamento, que também não deu certo e do qual nasceu seu filho caçula. Desde então não quis ter mais nenhum namorado ou companheiro. Mais tarde soube que a mãe havia dado os filhos para a ex-sogra da paciente criar e esta, por sua vez, os distribuiu entre diferentes famílias. Ao saber do ocorrido foi buscá-los, mas só conseguiu resgatar dois porque o mais velho não conseguiu localizar mais e a caçula havia emigrado com pai e um irmão da paciente para outro estado após a morte da mãe da paciente. A menina faleceu aos três anos de um tumor congênito. A paciente teve apenas duas consultas com o membro da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria nas quais ficou evidente que ela estava apenas esperando a morte após uma vida atormentada pela falha com dois de seus filhos. Logo após os dois atendimentos a paciente conseguiu realizar o exame cardíaco que faltava e recebeu alta para dar continuidade ao tratamento em regime ambulatorial.

A discussão girou em torno dos objetivos da Psicologia Médica neste caso: a diminuição do estresse diante do exame e o alívio da ansiedade da paciente relacionada ao prognóstico de sua doença.

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