Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
07.05.2009 Dr. Sergio Costa Almeida
Um rapaz de pouco menos de trinta anos, solteiro, foi internado com febre, diarréia e intensa fraqueza. Portador de AIDS, ele apresentava um quadro de tuberculose disseminada em vários órgãos. Oriundo do nordeste do país, há vários anos vivia longe de seus familiares e só mantinha contato, esporádico e por telefone, com a mãe. Passando grandes dificuldades, foi morador de rua por algum tempo, dela sendo resgatado com a ajuda de uma pessoa que se tornou seu namorado. Há três meses começou a sentir fortes dores na barriga e iniciou uma verdadeira peregrinação pelos hospitais públicos em busca de tratamento. Ao dar entrada em nosso hospital o paciente, já bastante emagrecido e depauperado, veio a falecer em poucos dias. Durante seu período de internação foi acompanhado pelo membro da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria com quem pode falar da perda do pai aos 11 anos, da infância muito pobre, da saudade de sua mãe que a pobreza separou e manteve distante e de sua vinda para o sul, fugindo da pobreza.

A partir da constatação de ser este caso um sintoma de nossa doença social, a discussão teve dois momentos. No primeiro momento, debateu-se a crise vivida pela nossa sociedade na qual vidas são perdidas desnecessariamente por conta de uma política de saúde que mantém hospitais sem condições de fazer atendimentos adequados e forma médicos despreparados para a assistência; no segundo momento, tentou-se responder à pergunta: além de presença e conforto, o que a Psicologia Médica pode fazer de específico em um caso como esse.

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