Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
22.01.2009 Dr. Decio Tenenbaum
Um rapaz de pouco mais de vinte anos, caçula de três filhos, foi internado com dores pelo corpo, principalmente em membros inferiores que quase o impediam de andar, vermelhidão por toda a pele do corpo e feridas esfoliativas também disseminadas pelo corpo, com início há aproximadamente três meses. Durante seu acompanhamento o diagnóstico de eritrodermia psoriásica foi estabelecido e ficou-se sabendo que cinco meses antes do início da doença seu namoro de dois anos chegou ao fim, sua mãe precisou ser operada e o paciente comemorou seu aniversário. Além disso, o paciente relatou levar uma vida sempre arriscada profissionalmente e cheia de acidentes.
A postura do paciente para com a equipe da enfermaria foi inicialmente retraída e desconfiada; sentia-se desassistido e dizia não saber o porquê dos seus sintomas e qual seria sua doença, apesar estar sendo devidamente informado sobre sua doença e seu tratamento. Essa atitude foi mudando com o tempo, mas retornou quando o paciente foi prematuramente informado sobre um possível segundo diagnóstico. O paciente voltou a se retrair, a se sentir desassistido e houve uma acentuação de sua dependência em relação à mãe, que passou a dormir no hospital, sempre reclamando de estar sobrecarregada com a assistência que estava dando ao filho. Dias depois o paciente recebeu alta com orientação para continuar seu tratamento em regime ambulatorial.

Na discussão do caso foi assinalado que, na perspectiva da Psicologia Médica, o ponto central deste atendimento diz respeito à comunicação do diagnóstico e ao preparo psicológico necessário a esta situação. A comunicação foi considerada precipitada e provavelmente induzida por aspectos contratransferenciais do profissional porque os aspectos paranóides e regressivos do paciente, já evidentes logo no início da internação, não foram levados em conta. A alta também foi considerada precipitada porque não permitiu que importantes aspectos psicodinâmicos do paciente, que seguramente estavam interferindo e influenciando a relação do paciente com sua própria doença e a adesão dele ao tratamento, fossem trabalhados. Assim, perdeu-se a oportunidade de ajudar o paciente a elaborar sua experiência de separação, o adoecimento da mãe, com quem tinha uma relação caracterizada por carência, pelo lado do paciente, e por rejeição, pelo lado materno, assim como sua sensação de desamparo crônico.

retorna