Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo da Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
04.12.2008 Dr. Giogio Trotto
Um homem de pouco mais de cinqüenta anos, divorciado, pai de apenas um filho, foi internado para tratamento de um quadro extenso de mielite transversa, com tetraplegia e descontrole esfincteriano, que teve início agudo: pouco tempo depois de sofrer um segundo assalto, o paciente começou a sentir uma pequena fraqueza nas pernas que logo evoluiu para uma tetraplegia que se instalou de modo bastante abrupto. O acompanhamento da Psicologia Médica foi solicitado pela equipe médica após algumas semanas de internação porque o paciente se apresentava deprimido. O paciente teve apenas dois atendimentos, nos quais falou sobre o início de sua doença e sobre os dois episódios mais tristes da sua vida: a perda de seu pai aos dez anos e de seu irmão mais velho, que desempenhou o papel de pai para o paciente, há dez anos. Mostrou-se ainda bastante ansioso em relação ao seu futuro, principalmente com a possibilidade de se tornar completamente dependente dos outros para se cuidar.
Inicialmente, foi discutido que o objetivo da Psicologia Médica com esse paciente seria, como com todo doente crônico, prepará-lo para a mudança havida em sua vida imposta pela doença, facilitando assim sua adesão a tratamento prolongado e difícil. Esse tipo de trabalho demanda não apenas um certo tempo como também a ação conjunta de toda a equipe, que no caso não ocorreu, pois o paciente saiu prematuramente de alta. Em seguida, discutiu-se o componente psicossomático da doença: os assaltos funcionando como situações traumáticas do ponto de vista psicológico e como agentes estressores do ponto de vista orgânico.

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