Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
04.09.2008 Dr. Decio Tenenbaum

Em uma tarde, durante sua rotina ambulatorial, o membro da equipe de Psicologia Médica associada ao ambulatório de Dermatologia foi interrompido no meio de uma consulta por uma senhora que disse estar buscando atendimento urgente para seu filho, que estaria deprimido por não melhorar da acne, apesar dos tratamentos a que vinha se submetendo. A senhora estava visivelmente angustiada. Foi-lhe dito que no momento não seria possível marcar nenhum novo atendimento por não haver disponibilidade de horário na agenda, mas que aguardasse um telefonema. Transcorrida uma semana, a terapeuta ligou para a senhora ao conseguir abrir um horário em sua agenda e, ao falar com o filho ao telefone, ficou sabendo que ele não queria fazer esse tipo de tratamento por achar que não iria ajudá-lo. Um mês depois, a mesma senhora interrompe novamente um atendimento no ambulatório para dizer que o filho viera para uma consulta dermatológica e havia aceitado iniciar um tratamento psicológico por imposição do dermatologista. Novamente foi-lhe solicitado que aguardasse novo telefonema. Isso feito, foi combinado um horário com o rapaz. Exatamente no dia e no horário da entrevista a terapeuta recebe um telefonema da senhora no qual foi avisada que chegariam atrasados porque estavam presos no trânsito. Chegaram quase no final do horário estipulado e a terapeuta se surpreendeu com a aparência do rapaz, que não apresentava um quadro grave de acne, apenas algumas poucas espinhas e pequenas marcas da doença. Soube pelo próprio que ele faz tratamento desde seus treze anos, que se atrasou em seus estudos por ter faltado muito ao colégio quando suas espinhas eram grandes e feias (sic) e que se sente sem auto-estima e com a vida parada por causa das espinhas. O rapaz não veio à consulta subseqüente e a terapeuta recebeu um telefonema da mãe no qual esta lamentou a desistência do filho e pediu, aflita, que a terapeuta atendesse uma de suas duas outras filhas, que também apresenta dificuldades emocionais. Ainda no telefonema foi-lhe explicado ser isto impossível em virtude do contrato terapêutico já ter sido firmado com seu filho. Passada mais uma semana, a terapeuta recebe outro telefonema da senhora no qual, muito aflita, se diz perdida, sem saber o que fazer para ajudar os filhos. É lhe mostrada a necessidade de acompanhamento psicológico para ela e ambas marcam um encontro para dali a quinze dias. No dia marcado, a terapeuta recebe outro telefonema da senhora, no qual esta diz que não iria por estar muito resfriada e que telefonaria para marcar nova data. Levou quase um mês para fazer isso e, com uma nova data marcada, a senhora compareceu no dia errado e, muito irritada com o engano que atribuiu à terapeuta, não mais a procurou.

A partir das dificuldades de um paciente iniciar o tratamento, discutiu-se como introduzir um paciente no tratamento e o papel das regras técnicas, que costumam ser consideradas fundamentais para o início de um tratamento. A satisfação vicária de desejos reprimidos propiciada pelos vínculos neuróticos também foi abordada

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