Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
07.08.2008 Dr. Abram Eksterman

Uma mulher de mais de oitenta anos, viúva e mãe de três filhos, foi internada para investigação de uma forte dor intermitente em uma de suas pernas. O atendimento da Psicologia Médica foi solicitado após os exames não evidenciarem nenhuma patologia que justificasse a sintomatologia referida pela paciente. Durante o acompanhamento, a paciente contou que perdeu o marido há pouco mais de dez anos e o filho mais velho pouco depois. Tanto o marido quanto o filho tiveram problemas de má circulação sanguínea, e a paciente acha que este é também o seu problema. O marido morreu de infarto do miocárdio e o filho precisou amputar uma das pernas pouco antes de morrer. A paciente teve dificuldade em falar sobre a morte do filho no primeiro atendimento, mas logo após a paciente deixou de sentir as dores e saiu de alta para dar continuidade ao tratamento em regime ambulatorial.

A discussão se iniciou pelo exame do quadro psicodinâmico apresentado pela paciente: a identificação com o filho morto caracterizando um quadro de luto patológico. Em seguida, falou-se sobre a necessidade de se dar continuidade, no ambulatório, ao acompanhamento iniciado pela Psicologia Médica e discutiu-se com profundidade como realizar o objetivo de ajudar a paciente a elaborar suas perdas e a importância do estabelecimento do vínculo terapêutico para a criação do espaço de segurança dentro do qual a o processo de transformação psíquica se dá.

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