Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
17.07.2008 Dr. Giorgio Trotto

Uma mulher de quase trinta anos, solteira, encontra-se em tratamento ambulatorial devido a dificuldades em deambular e vista embaçada, ambos com início há quase dois anos. Veio encaminhada de outro hospital com o diagnóstico de esclerose múltipla, que não foi confirmado pelos exames complementares. Por esse motivo, pelo fato da sintomatologia não ser específica de patologia desmielinizante e a paciente se queixar de desânimo e de desinteresse pela vida depois de ter sido vítima de violência sexual, além de fazer o tratamento neurológico, a paciente foi encaminhada para tratamento ambulatorial pela Psicologia Médica. Durante o tratamento apresentou dois episódios de piora da sintomatologia orgânica que reforçaram a dúvida se seriam sintomas conversivos ou neurológicos. Estabeleceu com sua psicóloga uma relação sedutora e erotizada; no momento se diz apaixonada por sua terapeuta.

       

A discussão se iniciou pelo diagnóstico diferencial entre sintomas conversivos e sintomas orgânicos, histeria e doença somática. Em seguida, foram abordados os três aspectos psicodinâmicos mais importantes na condução do tratamento desta paciente: o impacto contratransferencial de certas experiências vividas pelos pacientes, a erotização da relação terapêutica e a diferença entre a expressão psicodinâmica da síndrome do estresse pós-traumático desencadeada por experiências reais de vitimização e a expressão psicodinâmica de mitos (histórias) construídos a partir de experiências reais que precisam ser ocultadas. Finalmente, foram abordados os objetivos terapêuticos da Psicologia Médica neste caso.

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