Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
24.04.2008 Dr. Giorgio Trotto
Um jovem de pouco mais de vinte anos, solteiro e estudante de nível superior, foi internado com quadro de ataxia dos membros inferiores de evolução progressiva e alterações de comportamento. Portador de vasculite cerebral, foi internado para se submeter a uma pulsoterapia, pois seu quadro não estava apresentando melhoras com o tratamento ambulatorial. Após a segunda aplicação de corticóide intravenoso apresentou alterações comportamentais como recusar a alimentação, não querer tomar banho, passar a maior parte do tempo deitado em seu leito e todo coberto isolando-se de todos, tornou-se ríspido e pouco cooperativo com a equipe. Foi feito o diagnóstico de psicose e iniciou-se medicação neuroléptica.
A doença do paciente se iniciou há aproximadamente dois anos com fraqueza nas pernas e dificuldades na escrita. Não conseguiu dar continuidade nem aos estudos nem ao trabalho. Na época também perdeu a namorada e seu pai, com quem tinha um relacionamento conflituoso, faleceu de câncer. A mãe do paciente apresentou dificuldades em aceitar o fato de o filho ser portador de uma doença crônica incurável, cujo tratamento consegue apenas diminuir a evolução da doença e a intensidade da sintomatologia. O paciente, que recebeu alta após a última pulsoterapia, também demonstrou dificuldade em aceitar o fato de estar doente, inúmeras vezes falou em desistir de tudo e preferir morrer.

Inicialmente discutiu-se o diagnóstico diferencial entre psicose orgânica e psicose funcional. Em seguida, abordou-se o tipo de relação que o paciente estabeleceu com a equipe: por não conseguir elaborar e aceitar o fato de estar doente, ele fazia de tudo para que a equipe dele desistisse e o mandasse embora. Por outro lado, não entendendo o funcionamento psicodinâmico do paciente, a equipe o rotulou de psicótico, dele se afastando. Relacionado ainda com esse tema, foi debatido se o objetivo terapêutico de aumentar a consciência do paciente sobre sua doença e sua situação de vida não poderia ser iatrogênico. Finalmente, discutiu-se a possível relação entre a agressividade do paciente e a ambivalência de sentimentos que ele apresentava em relação ao pai.

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