Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
27.03.2008 Dr. Abram Eksterman

Uma mulher de mais de setenta anos, casada e mãe de dezoito filhos, foi internada pela primeira vez em sua vida devido a litíase biliar. Informou que vinha sentindo dores abdominais há mais de dez, que se agravaram há três anos, mas só há poucos meses procurou ajuda médica. Embora o tratamento para o seu problema seja cirúrgico, ainda não conseguiu ser operada por ser hipertensa e diabética. Assim que se internou as dores abdominais quase que desapareceram e a diabete e a hipertensão começaram a ser controladas, mas devido a alterações eletrocardiográficas não pode ser operada. Recebeu alta com encaminhamento para a cardiologia.
Filha única de seus pais, teve mais cinco irmãos do segundo casamento de sua mãe. Não conheceu seu pai, que era alcoólatra, violento e abandonou sua mãe assim que ela nasceu. Perdeu quatro filhos ainda pequenos e uma filha com pouco mais de trinta anos, que estava justamente mudando-se para longe dela com o marido. Até hoje não superou esta última perda. É evangélica e freqüenta a igreja com assiduidade desde muito jovem.

A discussão foi iniciada pela compreensão psicodinâmica do caso, na qual foram ressaltados: a possível formação reativa da paciente diante do desejo filicida do pai que a levou a ter dezoito filhos, o luto patológico relacionado com a perda de sua filha e, ligado a ele, a pouca disponibilidade interna da paciente em buscar ajuda médica levando-a a padecer por mais de dez anos de uma dor abdominal crônica e a não tratar adequadamente a diabete e a hipertensão e a repressão do componente agressivo. Ao ser abordado o tipo de alta que a paciente recebeu, aventou-se a possibilidade da agressividade reprimida ter sido projetada na equipe médica influenciando na decisão de não operar a paciente e encaminhá-la para outra equipe.

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