Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
13.03.2008 Dra. Anna Sanders Quental

Um homem de pouco mais de quarenta anos, solteiro, residindo com os pais e trabalhando como ajudante do pai, foi internado para tratamento cirúrgico de uma hérnia de disco intervertebral na região cervical, adquirida em decorrência de uma queda da própria altura no trabalho. Apresentava uma grave dificuldade na fala, a qual fazia com que não fosse compreendido com facilidade, além de dar a impressão inicial de também não entender com facilidade o que lhe era dito. Relatou ter essa dificuldade desde criança e seu pai, quando alcoolizado, batia-lhe e o jogava contra as paredes. Além disso, a mãe, apesar de orientada, nunca se interessou em buscar tratamento para o filho. O paciente queixou-se da pouca visita dos pais durante toda a internação.

Discutiu-se, inicialmente, o diagnóstico do paciente: autismo ou retardo mental, e a importância do diagnóstico psicodinâmico para a comunicação terapêutica. Em seguida, o tema da comunicação terapêutica foi dissecado a partir de diferentes pontos: a interferência das experiências traumáticas precoces, como o afastamento afetivo dos pais e a violência doméstica, no desenvolvimento simbólico e na relação mente-corpo, o papel da identificação projetiva nas dificuldades de comunicaçãoe a importância do terapeuta estar consciente de seus próprios sentimentos contratransferenciais para poder elaborá-los, não permitindo que eles interfiram no vínculo terapêutico a ponto de impedi-lo.Por fim, foi assinalado que o objetivo do atendimento deste paciente foi a diminuição do estresse da internação, aumentado pelo isolamento do paciente na enfermaria devido aos problemas da fala

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