Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
28.02.2008 Dr. Sergio Costa Almeida
Um homem de quase cinqüenta anos, aposentado, com aparência descuidada e trinta quilos mais magro, foi internado para tratar de diabetes tipo II. Separado de sua segunda esposa, morava com a avó e uma tia, mas desde o final do ano passado está sem residência fixa após ter brigado com as duas. Pessoa belicosa, que se desentende com facilidade, agressivo e por vezes violento, o paciente é filho de pais separados quando ainda criança. O pai faleceu em decorrência de alcoolismo crônico e a mãe está atualmente internada para retirada de um câncer intestinal. Há cinco anos fez tratamento para hanseníase, no curso do qual descobriu estar diabético e há seis meses parou de usar insulina por sentir-se melhor e acreditar estar curado. Relatou que nessa época estava sentindo muita saudade e vontade de rever seu avô, já falecido e muito importante na sua vida e de quem se acha muito parecido, inclusive na agressividade. Além disso, vem se sentido cansado e sem motivação para se cuidar, queixando-se constantemente de que ninguém cuida dele.

Durante a internação passou por alguns incidentes na enfermaria que quase lhe custaram a vida: uma vez engasgou-se seriamente e sofreu dois importantes episódios de hipoglicemia por não se alimentar adequadamente. Sentia-se muito bem no hospital, referia-se aos membros da equipe como uma família melhor do que a dele e dizia preferir ficar internado a voltar para a casa dos familiares.


O primeiro tema a ser discutido foi o hospitalismo do paciente, compreendido como sinal de um quadro depressivo com desistência perante a vida: seu pedido de ser cuidado decorria exatamente do desinteresse em se cuidar e seu estado ao ser internado mostrava que se não fosse cuidado acabaria morrendo.
A partir da distinção entre agressividade e destrutividade, discutiu-se, com profundidade e à luz de diferentes teorias psicanalíticas, a agressividade do paciente.

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