Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
14.02.2008 Dra. Anna Sanders Quental
Um homem de mais de sessenta anos internou-se para se submeter, pela segunda vez, ao tratamento cirúrgico de estenose da coluna cervical. Sua primeira cirurgia ocorreu há mais de cinco anos com remissão completa da sintomatologia, mas há quase um ano sofreu queda da qual resultou novo pinçamento medular na coluna cervical. Internou-se após realizar toda a rotina pré-operatória, mas, por problemas institucionais, teve que aguardar vinte dias para ser operado. Não sabendo direito a razão do adiamento constante de sua cirurgia, enquanto outros pacientes eram operados, foi ficando revoltado, razão pela qual o acompanhamento pela Psicologia Médica foi solicitado. Embora bastante chateado e irritado com a demora em ser operado, a terapeuta conseguiu estabelecer um bom vinculo com o paciente, o que abriu a possibilidade de ele falar de seus problemas e de suas dificuldades, pessoais e familiares: a perda de sua filha preferida ainda criança, as repercussões que sua separação conjugal teve em seus filhos e sua culpa por ter saído de casa muito cedo por achar que o pai não gostava dele. A cirurgia teve sucesso e o paciente saiu de alta assintomático.

Inicialmente, foram discutidos os aspectos psicodinâmicos do caso: a culpa edípica relacionada ao conflito com seu pai, no qual a agressividade do paciente foi projetada no pai, e o processo de luto da filha ainda não terminado. Em seguida, foi abordada a perspectiva da Psicologia Médica nesse caso: a importância de se criar e consolidar o vínculo terapêutico propiciador do espaço de segurança necessário para a diminuição do estresse da internação e elaboração de conflitos emergentes.

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