Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
29.11.2007 Dr. Sergio Costa Almeida
Um homem de pouco mais de trinta anos, solteiro e morando com a mãe, sem profissão e sem nunca ter trabalhado, foi internado para tratamento de bronquite asmática e dermatite. Apresenta crises de bronquite asmática desde a mais tenra infância sem nunca ter ao menos melhorado, apesar dos inúmeros tratamentos. Tem apenas um irmão, esquizofrênico desde pequeno e que vive com o pai. Acha que é um doente incurável e há muitos anos desistiu de ter uma vida normal. Responsabiliza o pai por sua doença e por suas dificuldades com a vida. Disse ter sido internado desta vez para dar um descanso ao pai, que o leva para hospital todos os dias e fala já não estar mais agüentando. Estabeleceu uma relação ambivalente com a equipe da enfermaria: ao mesmo tempo em que dizia querer melhorar, reclamava do tratamento que recebia e repetia que, como os demais, esse também não estava adiantando nada. Recebeu a psicóloga da mesma forma: no início do acompanhamento disse várias vezes que o mesmo não iria adiantar nada e que não queria conversar. Saiu de alta após dez dias de internação com melhora do seu quadro clínico.

Na discussão do caso foi lembrado que a asma brônquica vem sendo estudada pela medicina psicossomática desde Franz Alexander (1891–1964), psicanalista húngaro radicado nos EEUU onde fundou o Instituto de Psicanálise de Chicago e liderou o grupo de psicanalistas que iniciou a pesquisa psicanalítica das doenças somáticas, conhecido como a Escola Psicossomática de Chicago. Em seguida, foi discutido o empenho do paciente em induzir rejeição e o papel defensivo dos sintomas funcionais no sentido da manutenção de vínculos geradores de espaço de segurança, havendo sempre risco de desestabilização e piora do quadro com a eliminação desses sintomas. No caso apresentado, o paciente se mantinha vinculado à família através da doença. A preocupação da psicóloga em manter um estreito diálogo com o médico assistente a fim de evitar o risco da rejeição induzida pelo paciente e a relação direta e não estereotipada que ela estabeleceu com ele contribuíram para a criação do espaço de segurança necessário para a diminuição do estresse e, conseqüentemente, da secreção brônquica, com melhora do quadro clínico.

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