Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
11.10.2007 Dr. Giorgio Trotto

Um homem de pouco mais de quarenta anos, solteiro, em tratamento ambulatorial por ser portador de hérnia de disco, foi encaminhado para acompanhamento pela Psicologia Médica por estar muito ansioso, “trazendo dificuldades tanto ao tratamento quanto à relação médico-paciente”, e não apresentar nenhuma melhora de sua sintomatologia (dores nas costas + dormência nos membros inferiores + fraqueza nas pernas). Inicialmente contrariado com o encaminhamento, apenas respondia monossilabicamente as perguntas mostrando-se intensamente resistente ao tratamento. Muito ansioso, quase nunca conseguia permanecer até o final das sessões. Ainda em tratamento, sua postura vem mudando bem lentamente. Conseguiu contar porque tem tanto medo dos médicos. Disse que antes do surgimento das dores nas costas procurou o hospital por sentir dores nos testículos e foi encaminhado à biopsia, mas fugiu quando, já anestesiado, escutou os médicos conversarem sobre métodos de castração de bois e interpretou a conversa como sendo um aviso de que ele seria castrado. Depois deste episódio as dores testiculares desapareceram e ressurgiram nas costas, motivando-o a procurar novamente o hospital, mas a equipe de outra enfermaria. Recentemente as dores nas costas melhoraram e conseguiu submeter-se à biopsia testicular, da qual aguarda o resultado.

 

A discussão foi iniciada pelo exame da dificuldade que os médicos têm em avaliar e lidar com queixas subjetivas como as apresentadas pelo paciente e foi ressaltada a importância da História da Pessoa como instrumento anamnésico para este fim. Em seguida, abordou-se a psicodinâmica do paciente marcada pela angústia de castração e a reunião foi encerrada após a discussão sobre os riscos de ações iatrogênicas quando se lida com queixas subjetivas procurando relacioná-las diretamente com patologias somáticas ao invés de, primeiramente, abrir espaço para a fala do paciente.

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