Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
13.09.2007 Dr. Abram Eksterman

Uma mulher de quase sessenta anos foi internada com dor abdominal, náusea e emagrecimento. Muito chorosa, estava sempre falando da difícil vida que teve: perdeu o pai aos quatro anos e, por razões econômicas, foi entregue a outra família onde foi “criada” trabalhando como empregada doméstica, casada duas vezes com maridos alcoólatras, o primeiro também fisicamente violento, perdeu um filho adolescente num duvidoso acidente com arma alguns meses depois de perder a própria mãe. Os primeiros exames complementares não evidenciaram nenhuma alteração orgânica e a equipe começou a considerar o caso como uma doença funcional provavelmente associada à depressão e iniciaram medicação antidepressiva. Quando os exames mais específicos revelaram câncer de pâncreas inoperável a equipe desanimou e o trabalho de alta foi imediatamente iniciado.

A discussãogirou em torno da atitude terapêutica diante de pacientes graves. Na perspectiva da Psicologia Médica, o tratamento da paciente em questão teve duas fases: na primeira, quando a hipótese diagnóstica apontava para um fator psicológico, o foco foi o luto patológico da paciente; na segunda, quando os exames revelaram o câncer inoperável e a equipe desanimou, o foco deveria ter sido o luto da equipe. Em seguida, abordou-se a psicodinâmica da paciente: o luto patológico e a revisão melancólica que estava fazendo da sua vida, ambos associados a existência de sentimentos agressivos inconscientes, o que sempre dificulta a elaboração das perdas.